quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Da Cultura da Greve no espaço virtual

Terminamos, nesta semana, com uma greve das instituições federais de ensino superior que se estendeu por mais de 100 dias. Em que pese todo o desgaste, as pequenas conquistas, os desabafos, o envolvimento neste processo perpassou, pela primeira vez, um outro espaço de debates e reflexões que não deve ser menosprezado e é sobre ele que gostaria de falar como estudiosa da cultura e da comunicação. Participei de 3 grupos no Facebook abertos imediatamente após a deflagração da greve. Um deles, a princípio, formado por professores de história foi ampliando seu leque de inclusões de professores de todas as áreas e das mais diversas universidades brasileiras. Este grupo chegou a contar com cerca de 1.458 membros. O segundo grupo foi formado por estudantes de todo Brasil e também contava com a participação de professores e chegou a ter cerca de 150.000 membros. O terceiro grupo mais local reuniu alunos e alguns professores da UFG, principalmente do Câmpus Catalão e chegou a ter 1517 membros. Fiquei realmente admirada e encantada com esta experiência. Por mais divergentes que fossem as posições e práticas, foram poucas as manifestações exaltadas ou que se valessem de expressões chulas ou grotescas, mas é claro que elas também existiram, já que nesse espaço democrático de comunicação, os cerceamentos eram mínimos. Diga-se, de passagem, que num desses grupos sequer havia moderador. E, mesmo se houvesse, creio que seria dificílimo controlar a fala de tanta gente ao mesmo tempo. O interessante é que a greve pode ser contada, estudada, compreendida por meio deste instrumento. Para além das determinações da direção do sindicato, do comando nacional de greve, do comando local de greve, estavam ali todos discutindo e opinando sobre o que fazer ou não. Os comunicados elaborados depois de horas de debate e revisão já chegavam, em seus detalhes mais polêmicos, imediatamente ao facebook, muito antes de serem publicados na página do sindicato. As assembleias eram postadas após a fala de cada um e o poder de síntese dos “faceiros” era incrível. A emoção dos debates ali se exprimia por um simples: ”putz...vai dar m...”. Outros aproveitaram o espaço para construir teses de como conduzir um sindicato, como organizar o movimento, como alterar a ordem estabelecida por meio de novas práticas. Creio que depois dessa experiência, nada será como antes e as práticas terão, realmente, de ser repensadas.