segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Cinema à prova de morte: a genialidade de Tarantino

Só há uma palavra para descrever o filme À prova de morte de Quentin Tarantino: genial!
Em tempos de imagens 3D, HD, o diretor recupera as imagens distorcidas, disformes, riscadas dos filmes assistidos nas televisões dos anos de 1970. Baixíssima resolução de imagens, mas altíssimo potencial para tratar do tema-cinema. A volta ao analógico em tempos de alta definição de linhas leva os espectadores ao estranhamento: afinal quando foi feito o filme? Será mesmo este um filme do fim da primeira década do segundo milênio? Debochando de todos Tarantino diz que sim!
Para além do roteiro que explora o tema da violência e da paixão por carros, há um outro roteiro. Escondido nas entrelinhas há um debate sobre cinema e mída, e a todo o universo de pessoas a ele ligados: a radialista, os dublês, a jovem aspirantes a atriz, a maquiadora.
O diretor também se insere no filme como um barman que ordena: - acenda-se a luz! Como o mestre Hitchcock , Tarantino torna-se personagem, mas sem a discrição daquele. O personagem/vilão é, sem dúvida, uma figura impar. Kurt Russel em seu carro à prova de morte e suas taras por pés e bundas é absolutamente trash.
Lembramos de Crash, mas sem o teor cáustico dos filmes de Cronenberg. Lembramos também de todos os filmes hollywoodianos que elegem o carro como seu personagem principal. Mas aqui há uma diferença. São as mulheres desbocadas, descoladas, que os dirigem e realizam a catártica vingança contra o vilão mal caráter.
Por isso tudo, para alguém que viu o filme uma única vez, três anos após o seu lançamento em Hollywood, numa sala do cinema no Shopping de Catalão, vale a pena divulgar. Vejam, vejam, vejam....

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