Comentários sobre o filme do diretor Lars Von Trier, Dogville, de 2003.
Bruno Pereira de Oliveira – Ciências Sociais – UFG/CAC
Impacto. Choque. São dois possíveis adjetivos que caracterizam as primeiras cenas de Dogville, e por que não todo o filme. O cenário é inovador – na verdade o cenário é ausente... Onde estão as paredes, objetos, onde está tudo? – Até mesmo o cachorro não passa de um desenho no chão...
Creio ser proposital a ausência de construções concretas, pois parece representar que os habitantes de Dogville, mesmo não vendo o que acontece uns com os outros, podem deduzi-lo. Além disso, este artifício centra a total atenção nos personagens, o que faz até mesmo com que nos percamos um pouco da atenção, curiosos em relação ao que os outros personagens estão fazendo enquanto o foco centra-se em determinado ponto.
O cachorro é talvez o personagem mais importante. Ele não se comporta como cachorro, não se manifesta muito. Em contrapartida, as pessoas fazem o papel de cães. As necessidades mais animalescas das pessoas se sobressaem. O sexo, caracterizado pelo estupro, ganha um foco considerável.
A teoria rousseauniana do Bom Selvagem é arrasada. As pessoas são más por natureza. Quem não espera por uma reviravolta durante o filme e/ou não exulta com a vingança de Grace?
As duas cenas que, em meu ponto de vista, mais marcam e representam a essência do filme de Von Trier são, em primeiro lugar, quando Vera quebra dois dos bonecos de Grace e diz que se ela contiver suas lágrimas os outros serão poupados. E, no final, Grace vinga-se magistralmente ordenando que somente poupem os filhos de Vera se ela contiver suas lágrimas ao começarem a matá-los.
Quanto a Nicole Kidman. Simplesmente excepcional.
No início o filme parece ser cansativo, fato acentuado pela ausência de cenário e trilha sonora marcante, e, talvez atenuado pelas mudanças de luz que marcam as principais cenas. Porém as cenas são marcantes. Desnuda-se a essência das pessoas, seu individualismo, seus interesses, um fantástico jogo de metáforas, e, nesse processo, percebe-se o bom emprego que as quase três horas de filme representaram.
Dogville e seus habitantes transcendem o tempo e o espaço. Podem ser colocados em qualquer lugar e em qualquer tempo.
A grande crítica do filme é de caráter social... Em grande estilo nos é perguntado o que realmente somos.
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
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