Sobre “Geografia do Preconceito”, curta metragem dirigido por Daniel Nolasco e Marcella Coppo, que bem poderia se chamar “cartografia do desejo e da morte” ou ainda “coreografia da violência” e outros que tais, só posso dizer que fiquei com aquela sensação de embrulho no estômago e na alma que toda boa obra cinematográfica, ou qualquer outra obra de arte pode nos causar.
Para além de um roteiro que dialoga com as referências de filmes documentários contemporâneos, percebemos não só a denúncia, a explicitação de um ato de violência, mas também a fina ironia de seus realizadores ao narrá-la. A escolha da trilha sonora, dos sons incidentais que marcam o compasso da narrativa, são perfeitos (com todos os contraditórios que essa palavra indica).
Inserir na abertura a leveza de Fred Astaire para encerrar com a música absolutamente impossível de se adjetivar, mas que podemos pedir emprestado de seu título: bruta, rústica, sistemática, que incita ao preconceito, define o que é certo e errado; revela bem a cultura e a forma de pensar de determinadas pessoas num determinado território.
Para um trabalho de estréia só posso dizer que revela novos talentos, que apurando suas potencialidades, afinando seus instrumentos e suas técnicas, com certeza, nos brindarão com boas surpresas! Ousadia para tratar de temas delicados, sensibilidade para relacionar opostos e contrastes, os diretores têm de sobra! Espero que a obra possa, em breve, ser vista por muitos, e que ela cumpra todos os desígnios para e pelos quais foi feita!
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