segunda-feira, 2 de maio de 2011

Sobre o grande moleque Tião que se tornou Otelo


Assisti ontem a peça “Moleque Tão Grande Otelo”. Uma proposta que poderia correr o risco de ser mais uma narrativa biográfica, transformou-se num espetáculo digno daquele que o nomeia.
Temos ali a grata surpresa de entrar no espetáculo pela escada do espaço Cultural Veredas, que abriga a peça, distribuída pelos diversos cômodos de uma casa.
Outro aspecto interessante é que este espaço é situado na Praça Tubal Vilela, local onde um busto de Grande Otelo olha para os transeuntes, que por esse “lugar de memória”, podem, de repente, percebê-lo e perguntar: quem é esse sujeito?
A resposta será dada atravessando a rua. Saímos com a sensação de que, num espetáculo de pouco mais de uma hora, sua vida foi a nós revelada. Suas peraltices de menino, sua paixão pela arte, seu destemor pelo novo, sua ousadia e coragem, suas fraquezas, seus enfrentamentos cotidianos, suas desilusões, suas ilusões...
O mote para o início da dramaturgia é uma conversa com Orson Wells que o pergunta sobre a visita que faz a Uberlândia quando da inauguração de um teatro que levaria o seu nome. Dessas perguntas nascem as rememorações do moleque Tião, sobre a avó, a mãe, a escola, a Mogiana, a ida para a cidade grande.
Depois entramos por sua vida adulta no teatro, na música, no cinema. Cenas antológicas de sua filmografia são ali relembradas como a “Boneca de Pixe” e a cena do balcão de Romeu e Julieta do filme feito com Oscarito. A trágica morte de sua mulher e de seu filho é também tratada com a sobriedade e intensidade que merece.
Ao final o julgamento. Absolve-se ou condena-se Grande Otelo por sua vida errante e, ao mesmo tempo, encantadora. Compreendemos que a arte o liberta. Sebastião Prata transformou-se irremediavelmente e, para sempre, em Grande Otelo.
O grupo Athos de Teatro e toda a equipe de produção e direção mereceram os aplausos efusivos dos que ali estiveram. Que mais pessoas possam compartilhar dessa bela homenagem! 

Regma Maria dos Santos

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