quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Barcelona: um carrossel de diversidade


Creio que uma das coisas mais impactantes quando chegamos à cidade de Barcelona é perceber como essa sociedade funciona tão bem, apesar, e para além de, abrigar aqui pessoas das mais diversas raças, religiões, costumes, países e culturas.
Viver na cidade nos dá uma mostra bastante evidente dessa diversidade e dessa convivência. Moramos em Navas, um bairro próximo à Av. Meridiana, uma das principais da cidade. Aqui, como em muitas partes das cidades multiplicam-se os bazares, os restaurantes e as “panaderias” chinesas.
Diferentemente da aparente “rudeza”, da fala ríspida, do passo apresado dos espanhóis, os chineses são extremamente atenciosos, calmos, prestativos. O garçom de um restaurante na esquina de nosso apartamento definiu bem, o modo de viver dos espanhóis: “para nosotros, 5 minutos son 2”! E é a mais pura verdade, basta olharmos para o caixa do restaurante espanhol e a conta já está em nossa mesa. Os trens de metro e, pasmem, os ônibus de linha têm suas paradas rigidamente controladas por um placar eletrônico que avisa se vamos aguardar 40 segundos ou 5 minutos a sua chegada.
Os paquistaneses, africanos, indianos, árabes, também estão bastante presentes aqui. Cheguei a ver uma mulher usando burca, empurrando um carrinho de bebê, só com os olhos à mostra. Parece que também há uma migração forte de países, como Rússia, Ucrânia e outros do leste europeu, mas que por suas características físicas, não conseguimos distinguir tão claramente.
Os paquistaneses e indianos também atuam bastante no setor de serviços e costumam ser também muito atenciosos e prestativos. A língua parece não ser um problema para eles. Falam tanto o catalão, como o espanhol. Seus filhos, com certeza, falarão 4 línguas. A sua de origem, que se fala em casa; o catalão,  o espanhol e o inglês que se aprende na escola, a partir dos 3 anos de idade.
Na escola de meu filho há muitos chineses, indianos, árabes e africanos. E essa mescla se espalha pela cidade. Levei o Heitor a um carrossel, e, não sei se por coincidência, havia uma criança africana, uma indiana, uma chinesa, gêmeos espanhóis e o brasileirinho do Heitor. Creio que, até agora, essa foi a melhor síntese/metáfora que consegui fazer da cidade:um carrossel de diversidade.
À porta da escola essa experiência se repete, mas como passar  dos dias, vou considerando muito natural e familiar, o que antes parecia estranho e desconexo. Algumas mães falam árabe, outras, inglês, mandarim, espanhol, e catalão. É verdadeira Babel, mas ali parece que todos se entendem.
Acima disso tudo as torres da Sagrada Família, de um lado, e a torre Agbar de outro, parecem, estar sempre vigilantes, a tudo que se passa por aqui. Acima delas só o guindaste do Parc Tibidado  que, no ponto mais alto da cidade, eleva as pessoas mais corajosas, acima do acima”. Parece ser esse o desejo que povoa o imaginário daqueles que aqui vivem. Depois de ter compreendido um pouco melhor a história da cidade, passo a conjecturar que, o fato de a cidade ter sido cercada por muralhas durante quase 7 séculos e ser constantemente vigiada sob a mira de canhões, moldou  a perspectiva vertical  de sua arquitetura  e de seus guindastes.  Por outro lado, creio que isso também revela o quão silenciosa é a cidade, até meu filho de 5 anos percebeu isso. Para os ruidosos brasileiros, o silêncio de Barcelona é , por vezes, embaraçoso.  No metrô, no ônibus, nas ruas, caminhar com crianças é um verdadeiro exercício de contenção. Mas sobre esse assunto escrevo depois.....

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